Existem algumas dúzias de livros descrevendo como a China
irá superar os Estados Unidos em algum momento deste século. Em geral esses
livroes são baseados em projeções do produto interno bruto americano e chinês,
assim como investimento em indústrias estratégicas e exército. Em seu livro, o
economista Arvind Subramarian procura ampliar o espectro da análise sobre a
transferência de poder do Ocidente para o Oriente.
A primeira inovação de Arvind Subramarian é a criação de um
índice para quantificar supremacia econômica. Além do PIB, o autor considera a
porcentagem de participação no comércio internacional e o fluxo (líquido) de
capitais como as variáveis chave para a determinação do país hegemônico. Usando
a base de dados do Fundo Monetário Internacional, Subramarian, determina a
transferência do poder da Inglaterra para os Estados Unidos no imediato pre
Primeira Guerra e projeta a transferência Estados Unidos-China para o ano 2030.
Além da criação do índice mencionado acima, o autor também
avalia a mudança da moeda de reserva global (tópico já abordado no artigo "A Internacionalização do Yuan" Clique Aqui). De acordo com o autor,
a mudança do dólar para o yuan não é apenas uma consequência da transferência
de poder, mas sim parte integrante do processo. Assim como o Estados Unidos
usaram, em diferente instâncias, o dólar para atingir seus objectivos de
política externa, a China deverá fazer o mesmo com o yuan. É claro, no entanto,
que o estabelecimento do yuan como moeda internacional não será um processo
indolor nem para a China nem para o resto do mundo
A maior dúvida sobre a tranferência de poder recai sobre o
baixo nível do produto per capita chinês no momento da transição (em torno de
2030). Ambos, Inglaterra e Estados Unidos, já gozavam de uma alta renda per
capita no momento em que atingiram o poder hegemônico, e o mesmo não acontecerá
com a China. Baixos níveis per capita estão geralmente associados a problemas
sociais, baixo nível de “soft core” e baixa capacidade tecnológica. Todas essas
características poderiam por em risco a hegemônia chinesa.
Todas essas previsões são, obviamente, suscetíveis a erro.
Um debate bastante similar ocorreu durante a década de 1980 sobre a possível
hegemônia japonênsa. A diferença desta vez é que mesmo as previsões mais
conservadoras apontam para a hegemônia chinesa (e não simplesmente um mundo
bipolar) nas próximas décadas.
Enfim, Arvind
Subramarian mostra-se bastante confiante no seu modelo e na sua base de dados
para afirmar com todas as letras que o mundo estará sob a hegemonia chinesa a
partir de 2030. E, para além das previsões, o livro oferece uma boa (e breve)
narrativa histórica sobre a hegemônia americana.
